Quem é o Mago Merlin?

Seguem abaixo vários textos, de diversos autores, para que você tire suas próprias conclusões…

Como personagem literário, Merlin é criação do cronista medieval Godofredo de Monmouth.

A primeira obra escrita por Godofredo sobre o mago foi uma série de Profecias de Merlin (Prophetiae Merlini), cujo texto foi incorporado mais tarde pelo próprio Godofredo na sua História dos Reis da Bretanha (Historia Regum Britanniae), em que Merlin é transformado pelo autor numa figura pseudo-histórica.

Godofredo misturou as lendas galesas sobre o bardo Myrddin com a história de Ambrósio (Ambrosius), contada por Nênio na Historia Brittonum, com origem no século IX.

Segundo a Historia Brittonum, Ambrósio era uma criança com poderes proféticos, que não tinha pai humano e que fora trazida pelo rei britânico Vortigerno para ser sacrificada na base de um edifício em construção.

Ambrósio escapa da morte ao mostrar ter mais poderes que os magos do rei. Já na História dos Reis da Bretanha, Godofredo diz que Ambrósio é outro nome para Merlin e que o mago era filho de um íncubo, o que explica porque seu pai não era humano.
Na obra de Godofredo, Merlin é conselheiro de Uter Pendragon, sendo o artífice do encontro amoroso entre Uter e Igraine, no qual é concebido Arthur.
Godofredo também descreve Merlin como responsável pelo ‘transporte’ desde a Irlanda das pedras usadas na construção de Stonehenge.
Na obra de Godofredo, porém, Merlin não tem uma relação com o rei Arthur, como teria em obras de escritores posteriores.
Por volta de 1150, Godofredo voltou a escrever um livro sobre o profeta, denominado Vida de Merlin (Vita Merlini).
Robert de Boron, escritor francês do século XII, foi um dos que mais desenvolveram o personagem de Merlin.
Em sua obra, Robert diz que o pai de Merlin era um demônio, e que o bebê era destinado a ser um profeta do mal.
Porém, graças à virtude da mãe os planos do demônio são frustrados, e os poderes de Merlin passaram a servir boas causas.
Como Godofredo, Robert também dá importância à relação de Merlin com Vortigerno e Uter, mas o papel do personagem é expandido.
Merlin é o criador da Távola Redonda de Uter é o responsável pela Espada na Pedra, que ao ser retirada por Arthur lhe dá o direito de ser rei.
Merlin teve grande popularidade na Idade Média e foi personagem importante de muitos romances escritos em francês e inglês, como o ciclo do Lancelot-Graal (ou Vulgata) do século XIII.
Merlin torna-se conselheiro de Arthur no início do seu reinado, e guia o rei para que obtenha Excalibur da Dama do Lago.
Porém, antes do episódio da busca do Santo Graal, Merlin apaixona-se por Viviana, que aprende magia como ele e termina aprisionando o mestre numa prisão encantada.
Thomas Malory, na sua famosa Morte de Arthur (século XV), também retrata Merlin como um conselheiro sábio do rei Arthur e seu final como vítima de Viviana.
Na Era Moderna, Merlin continuou a ter muita popularidade, figurando em obras literárias desde a Renascença até a atualidade.
É figura importante nas obras Arthurianas de Tennyson (Idílios do Rei), Mark Twain e T. H. White.
Segundo Charles Squire, Myrddin era o Zeus do panteão das lendas Arthurianas, que substituiu os antigos deuses. Nos romances normandos e franceses, seu nome se tornou Merlim.
As evidências para sua posição proeminente são várias.
O nome antigo da Grã-Bretanha, antes dela ser habitada, era Clas Myrddin, ou o cercado de Myrddin. Myrddin tinha uma esposa, que combinava características de Nuada e Lludd, descrita como a filha única de Coel, nome bretão do deus gaulês Camulus, deus da guerra e do céu.
O nome desta esposa era Elen Lwyddawg, ou Elen, líder das hordas, e seu nome é preservado no País de Gales no nome de várias antigas estradas, como Fjordd Elen (estrada da Elen) e Sarn Elen (passagem da Elen), além de ser a fundadora da cidade de Carmarthen (Caer Myrddin) e da fortaleza de Arvon, identificada com o sítio próximo de Beddgelert chamado Dinas Emrys, ou a Vila de Emrys;

Emrys é um dos nomes ou epítetos de Myrddin.

De acordo com o Professor Rhys, citado por Charles Squire, Myrddin era o deus adorado em Stonehenge.
Dentre as evidências, parece apropriado que o supremo deus da luz e do céu fosse adorado em um templo sem teto e aberto para o Sol, o vento e a chuva.
Geoffrey of Monmouth, em sua história que combina ficção com mitologia, atribui a construção de Stonehenge a Merlim.

Diodoro Sículo chamava Stonehenge de um templo a Apolo, mas o que parece ser uma contradição pode ser porque os antigos celtas da Grã-Bretanha não faziam distinção entre o céu e o sol, porque o deus-sol, como um personagem distinto, parece ser um conceito tardio.
A história da prisão final de Merlim, no oeste, sob o mar, em uma ilha longínqua ou em uma floresta escura (há três versões da lenda) correspondem a uma versão mitológica do pôr do sol.
Quando o mito adquiriu sua forma final, em que Merlim fica preso na ilha Bardsay, esta fica no ponto mais a oeste de Caernarvonshire.
Plutarco, citando o gramático Demétrico que havia visitado as ilhas britânicas, mencionou uma ilha localizada na costa onde Cronos estaria preso, vigiado por Briareu.
Charles Squire identifica Cronos com a divindade do céu e do sol, após sua queda e aprisionamento no oeste.

A Senhora do Lago, Fada Viviane ou simplesmente Viviane é, de acordo com a lenda Arthuriana, a mais importante sacerdotisa de Avalon. 

Filha de Diana, a deusa dos bosques e irmã mais velha de Igraine (Mãe de Arthur e Morgana), a fada tinha a missão de proteger e entregar a espada mágica do Rei Arthur, a sagrada Excalibur. 

Em algumas versões ela também elimina Merlin, cria Lancelot após a morte de seu pai ou ajuda a levar o moribundo Arthur até Avalon. 

Alguns textos dão o título de Dama do Lago à Morganna, ou sua irmã. 

Muitos escritores e copistas a nomearam como Nimue, Viviane, Viviana, Vivienne, Elaine, Niniane, Nivian, Nyneve, Nimueh e outras variações.

Segundo a lenda, a Senhora do lago deu a Arthur Pendragon a espada sagrada Excalibur, que significa “aço cortado”. 

Excalibur foi entregue a Arthur por Viviane, Merlin e Morgana em um ritual na ilha sagrada, com o juramento que quando fosse Rei da Bretanha, reinaria respeitando os cultos católicos, bem como os cultos de Avalon, bem como manteria a existência dela.